Ainda estou na dúvida se foi só uma tremenda coincidência, mas o dia 15/05/2012 foi o dia escolhido para o lançamento da 3ª versão de duas das franquias mais esperadas do mundo dos videogames. A Blizzard trouxe o Diablo 3 (e com isso destruiu alguns namoros mundo afora) e a Rockstar lançou o Max Payne 3.
Esse texto eu vou abordar mais a experiência que tive ao jogar Max Payne 3, terminei-o um dia após adquirí-lo (mas não se enganem, o jogo é longo, de 10 a 15 horas. Eu que não tenho limites de jogatina quando o jogo é bom). Eu estava esperando o jogo faz muito tempo, eu sou fã da série desde o lançamento do original da franquia. O que venho notando na série é que Max Payne é inovador em sua área de atuação, sempre. Os 2 jogos trouxeram melhorias gráficas e de jogabilidade que ditaram muitas das mudanças na indústria de jogos, como o fator bullet-time que é marca registrada da série.
O que eu posso adiantar logo de cara é o seguinte: o jogo é espetacular. Nada menos que isso. Não tenho outras palavras pra dizer o que eu achei do jogo. Eu não sei bem por onde começar pra listar a infinidade de pontos positivos desse jogo, e principalmente alguns defeitos (que sim, existem), então vou começar pelo enredo.
Se passa em São Paulo, em dias presentes. Retrata um Max Payne depressivo, alcoólatra, viciado, que trabalha como segurança particular da família de um magnata da cidade, Rodrigo Branco. Explica também porque ele foi sair de NY e parar em SP, mas não vou contar isso aqui porque é spoiler. O teor da história é triste, dramática, foge do clichê de que "no final dá tudo certo", conta a tragédia que ele vive com uma narrativa do ponto de vista do próprio personagem. A Rockstar fez muito bem ao selecionar o caminho que o enredo seguiria, a narrativa é fiel e muito bem montada. Reproduziu bem o desespero que a pessoa passa em casos de vida ou morte e isso foi um elemento primordial para que a qualidade da narrativa se mantivesse alta. Enredo foda assim, não vejo desde Red Dead Redemption, também da Rockstar. O final entra um pouco em um outro clichê do tipo "pegue o vilão enquanto ele tenta escapar de avião", mas são 2 minutos em uma narrativa de 10 a 15 horas. Perdoável. O enredo me lembrou bastante o filme Chamas da Vingança, com Denzel Washington.
Um ponto que ficou desacreditado de início foi a retratação do ambiente de São Paulo que fariam no jogo. Eu particularmente achei muito fiel, embora peque em alguns pontos. Tá tudo lá, até os marginais com quem Max troca tiros com camisas de times de futebol, e os diálogos em português entre eles são hilários algumas horas ("seu cuzão, vai morrer aqui gringo!"), embora pareçam meio forçados às vezes. Mostram os dois lados: a riqueza em excesso e o glamour no meio de boates cujos frequentadores são grandes empresários e jogadores de futebol, e a favela paulista, onde o crack e a prostituição correm soltos no cenário. Existe uma nudez mediana em alguns pontos, a violência, porém, é constante. E muito alta. À medida que Max vai avançando na investigação do caso, vai aparecendo novos padrões de personagens. Nenhum deles é caricato demais. Ou todos são, depende do seu ponto de vista.
Ok, gráfico. Espetacular, a meu ver. O aspecto visual do jogo é muito competente e não foi só com o nível técnico que a produção se preocupou. A estética do jogo traz de fato a sensação que a história quer que o jogador tenha, para visualizar o enredo num prisma mais pessoal. O jogo é triste o tempo inteiro, raros são os momentos em que algo sai como planejado e isso gera uma frustração muito grande no personagem, que já é um pudim de cachaça. Com a depressão que isso vai gerando nele, então fode tudo. A fotografia desse momento é fiel ao sentimento que a imagem passa e nota-se que isso é totalmente intencional. Movimentos faciais dos personagens retratando a emoção deles durante a conversa é louvável também.
Aliás, movimentação dos personagens é outro ponto no jogo que merece menção e elogios. Todo movimento que Max faz é muito natural e quebra antigos conceitos de movimento em jogos, onde o personagem parece um boneco inerte que só executa movimentos previamente programados. Em Max Payne 3, a forma com a qual Max interage com o ponto de visão que o jogador determina no momento é fascinante. Se você corre em uma direção e de repente resolve ir para outra, o movimento do personagem com a mudança brusca é muito bem articulada. Mostra também que o Max é um quarentão que já tá meio baqueado pela bebida e pela idade. Nos movimentos do personagem é notável isso. Na última fase, é clara a semelhança com John McClane, de Die Hard.
O som é fiel à qualidade que estamos acostumados hoje, mas como disse acima, é meio forçado em certos pontos quando um dos personagens dialoga em português nas cutscenes. Nada demais, mas que pelo nível da produção, exigia um cuidado maior. O som dos tiros e ambientes, porém, é extremamente fiel com uma trilha sonora que causa impacto no momento certo. Trocar tiro ao som das composições que reservaram para o título foi sacada de mestre, louvável. E é bem variado, música eletrônica, ambiente, e tem uma música que toca nos últimos momentos do jogo que eu vou até procurar pra download. Fator que merece menção
O fator multiplayer é tão inovador e divertido quanto o jogo todo. Seria meio estranho um modo multiplayer de Max Payne sem o recurso bullet-time, então a Rockstar conseguiu um meio de introduzir o elemento sem afetar a experiência de jogo online: só entra em bullet-time quem estiver ao alcance do jogador que o ativou. Quem estiver longe no cenário não será afetado pelo efeito. Parece gambiarra de início, mas ficou muito boa a experiência com tal elemento colocado dessa forma. Existem diversos modos (todos envolvendo matança e algum objetivo secundário), mas destaque pro modo Payne Kiler. Muito legal.
Max Payne 3 cumpriu seu papel de forma louvável, e foi muito além da média de qualidade com a qual costumamos lidar. Isso é praxe da Rockstar. Além de ser um jogo espetacular, nos coloca frente a frente a novos conceitos de jogos de ação, que as produtoras terão que introduzir em seus títulos vindouros. Não é nada menos do que eu esperava. Pelo contrário. Dou 9,8, entretanto. Nada é perfeito.